Quando a casa revela o que atravessou o mundo!

Ao completar 25 anos de carreira, senti vontade de olhar para trás. Revisitei viagens, encontros e referências que, ao longo do tempo, foram moldando meu olhar.

Percebi que muitas dessas experiências não ficaram apenas na memória, tornaram-se parte da minha formação e da forma como penso a arquitetura.
A partir desse percurso, criei uma websérie reunindo países, aprendizados e influências que mais marcaram minha trajetória até aqui.

Ao rever fotos e lembranças, entendi o quanto essas vivências foram decisivas não só para minha prática profissional, mas para a maneira como observo e compreendo os modos de viver.

Sempre gostei de observar com atenção os lugares e as pessoas durante as minhas viagens. Perceber como cada cultura ocupa o espaço e como, muitas vezes, a arquitetura nasce da relação natural entre o entorno, o clima e os hábitos da sua população.

Ao revisitar essas memórias, fica claro o quanto ampliaram meu repertório e, aos poucos, foram se incorporando à minha forma de projetar.

Entre as casas que mais me encantaram estão as casas marroquinas. São casas profundamente conectadas ao lugar onde estão. Casas que nascem do deserto, organizadas em torno de pátios, onde a luz, a sombra e a espessura das paredes ajudam a criar conforto. Eu não reproduziria uma casa marroquina aqui. Nosso clima é outro. Mas acredito que trouxe muito do que aprendi lá ao vivenciar esses espaços.

Também acredito que as viagens nunca terminam. Mesmo quando voltamos, as experiências que vivemos ali permanecem conosco. Às vezes não é um exemplo construtivo que nos inspira, mas um gesto, um ritual, uma atmosfera que encontramos em outro lugar do mundo e que, de alguma forma, sentimos vontade de incorporar em nossas vidas.

Trazer objetos que atravessaram o mundo para dentro de nossas casas também é sempre interessante. Eles funcionam como pequenas memórias silenciosas.

Não para nos levar de volta, mas para trazer um pouco do que sentimos durante a viagem para o nosso cotidiano. Por isso, me proponho a conhecer, a cada ano, um novo lugar do mundo que surpreenda e revele novas maneiras de olhar o espaço e a vida.

Viajar amplia o olhar e traz novas referências. E, aos poucos, isso também transforma a forma como pensamos e vivemos a casa.

O que atravessa fronteiras são as vivências e

descobertas de novas possibilidades.

O jeito de pausar, de receber, comer, se reunir.

De criar silêncio. De fazer arte.

É isso que as viagens revelam.

E é isso que pode ser incorporado à casa.

Não como decoração, mas como lembrança afetiva.